sábado, 29 de setembro de 2012
Um brasileiro perdido em Portugal - semana 1 e 2
Pensei bastante sobre manter o blog atualizado toda semana e nada mais justo para comigo e para com você que tem qualquer interesse em ler isso (se é que há alguém realmente interessado em saber. hahaha)
Hoje fazem duas semanas que cheguei em terras lusitanas e por aqui já encontrei de quase tudo, principalmente um número infinito de brasileiros que invadiram a pequena Braga.
Confesso que a primeira semana foi bastante confusa e complicada. Até me estabelecer no lugar onde ficarei, foram 4 dias em um hotel, que não foi de todo ruim, já que não precisava arrumar cama e esse tipo de coisa. O que de fato acontece é que se sente uma imensa saudade de casa na primeira semana. Não há como fugir. Faz falta a comida da mãe e da vó. O irmão chato e companheiro e o pai que dorme todo dia na sala vendo tv e tenho que colocá-lo na cama. Sobretudo sinto falta do carinho da família e amigos que ficam só pelo skype.
No domingo fui à igreja aqui! Um tanto diferente e menor do que a minha queridíssima betânia! O louvor é feito por um violão e um piano. Não há microfones e nem uma pessoa ministrando o louvor, mas a igreja toda leva a música no gogó, já que o importante é a quem ela é dirigida, não como. Isso tem me feito perceber o quanto algumas coisas realmente são desnecessárias e como as vezes perdemos o foco principal do nosso louvor e adoração. O pessoal me recebeu muito bem e já arrumei um almoção típico português com direito a pastel de belém tamanho família para a sobremesa. Obrigado ao sr. Silas por isso!
Na quarta feira cheguei a minha casa definitiva e na sexta já tinha feito amigos. Portugueses e brasileiros, em sua maioria. Confesso também que um certo sotaque já é facilmente reproduzido quando quero. Os portugueses conheci nos famosos "praches", que são os trotes daqui de Portugal. Não, eu não passei por trote mais uma vez! Só estive por perto para conhecer novas pessoas e me familiarizar com a terra nova.
Os brasileiros adivinha onde conheci? Festa, claro! Hahaha A própria Universidade organiza algumas festas pros alunos de intercâmbio se conhecerem! Na sexta já rolou um churrascão no melhor estilo "churrasco na laje". Nada de aulas na primeira semana por causa dos praches, que curiosamente duram o ano todo para os "caloiros", coitados.
Segunda semana é bem mais tranquila que a primeira. Algumas novas experiências foram vividas ao longo dessa segunda etapa européia. Aos poucos descubro o valor de se levar uma calculadora para o supermercado e que comer no McDonald's todo sábado é um luxo pra poucos! Ao mesmo tempo estou me descobrindo um dono de casa! Lavei roupa, passei roupa, limpei casa e já planejo algumas pequenas coisinhas para a cozinha na próxima semana! Portanto, meninas, se preparem que eu volto pronto pra casar! Hahaha.
Hoje, sábado, fiz minha primeira viagem aqui! Fui a Porto! Que cidade... linda, linda! Tanta coisa pra ver que não dá pra um dia, mas ainda voltarei algumas vezes. Além do outlet, comprei meu primeiro ingresso pra UEFA! Porto x PSG! Desculpem amigos amantes de futebol, mas eu to muito melhor que vocês! Hahaha
Pretendo colocar um pequeno resumo da semana aqui aos sábados, pois eu mereço olhar aqui depois de anos e me lembrar dessa experiência incrível que estou passando e pra vocês que possam querer saber da vida desse brasileiro perdido em terras portuguesas! Glória a Deus pelo que Ele já tem feito por aqui! Amo vocês família e amigos!
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Atrás da porta
Não me espera, eu sei que não
Passa o tempo, passa a direção
Não te espero, você sabe que não
Passou seu tempo e tomei a direção
segunda-feira, 12 de março de 2012
Saudade
Não quero ir embora
Não quero sentir a demora
Que vem toda vez que vou
Deixo aí parte de mim
O que tenho melhor, enfim
Um pouquinho do que sou
Levo comigo um ultimo olhar
De quem diz “pode ficar”
Mas eu não moro aí
Quero todo dia lembrar
E sentir falta de acordar
E não te ter por aqui
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Ponto
Vou rir, rir ao ver isso tudo.
O que já não era bom, piora.
Deve ser o que se passa
Na cabeça do que acha
Estar tudo sempre certo
Sem o por quê, portanto
Eu cansei dessa imagem.
Eu cansei dessa bobagem.
Eu cansei de tanta coisa.
Já era hora que se passa
Ora, se já não tem mais graça
Não há nada a prover, nada.
Não posso fazer acontecer.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Sobre cair
ele caiu. Em si.
E onde mais se pode cair?
Levantou e foi viver
a nova vida que lhe foi dada,
a nova visão, outrora deturpada.
Percebeu que seu tudo não é nada
que seu dia era uma madrugada.
Viu o quanto deveria mudar,
que o mundo é bem mais que olhar.
São escolhas.
São amigos.
É o Deus.
É amar.
domingo, 5 de junho de 2011
Trinta e seis minutos
Quarta feira. Já são quase cinco e meia da tarde. Ele vê o ônibus que deve tomar para chegar à faculdade e faz o sinal de parada. Imediatamente, atendendo ao chamado, o motorista pára e ele sobe, pega o dinheiro no bolso, paga e passa pela roleta (com alguma dificuldade, culpa dos tantos livros cobrados pelos professores). As janelas estão abertas e faz um pouco de frio. Ele procura um lugar vago para sentar-se. Só há um, bem atrás daquela proteção de vidro que alguns ônibus tem, não sei bem o por quê. Já havia alguém sentado lá. Ele olha, dá um breve sorriso como quem diz "Oi, se não se incomoda, vou me sentar ao seu lado.". O sorriso é prontamente retribuído e ele se senta. Seus ombros se encostam durante todo o trajeto. Eventualmente, os braços. Ele a olha fingindo querer ver a paisagem. Ela foge do seu olhar, finge não perceber. Quando ela toma a atitude, ele vira a cabeça, lê o jornal do sujeito estranho calçando botas vermelhas que está sentado no banco ao lado. Durante um segundo, porém, seus olhares se cruzam pelo vidro e logo se desviam. Ele está apaixonado. Uma paixão que, ele bem sabia, duraria alguns minutos e em nada resultaria, mas era uma paixão boa. Paixão de ônibus. Só havia coragem de olhar pelo vidro. Os olhos não se desgrudavam, como se o outro não estivesse de fato ali ao lado. Como se fossem meras imagens. Como se os ombros não se tocassem. Eventualmente, os braços. Olhavam-se pelo vidro. Nessas alturas já era noite. Não aconteceu, mas era clara a vontade de se tocarem as mãos. Os olhos, contudo, não se desviam um instante. O ponto dele chegava. Pela primeira vez eles param de se olhar. Ele levanta, puxa a cordinha quase no teto e, imediatamente, a sirene toca alertando o motorista de que deve parar. Ele tenta olhar para ela, desta vez não pelo vidro, mas ela se vira para a janela. O ônibus pára. Ele agradece ao motorista, desce as escadas e vai seguir para seu destino. Acabou a paixão.
sábado, 7 de maio de 2011
Irmão
esse sorriso estampado
e de compartilhar de tudo
ainda que esteja mudo.
É de apagar a luz e sair,
desejar-lhe boa noite e
cobrir pra passar o frio
no instante de dormir.